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14 de janeiro de 2010

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Obras maiores que a de Jesus - João 14:12

Em João 14.12 está escrito: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Este versículo é o preferido dos super-pregadores milagreiros e ilusionistas, que se valem da ênfase “obras maiores” para avalizar os seus truques, trapaças, experiências exóticas e antibíblicas, além de fenômenos “extraordinários” que não resistem ao teste da Palavra de Deus (cf. Dt 13.1-4; 2 Ts 2.9; Mt 7.21-23).

Neste artigo faço uma análise exegética de João 14.12, pela qual — fazendo jus ao objetivo da exegese — procuro extrair da aludida passagem o verdadeiro sentido da frase “também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas”. Também aproveito o ensejo para responder aos diversos leitores que me enviaram e-mails pedindo explicações sobre o mencionado versículo. Espero que não se decepcionem com esta análise contundente, mas imparcial e, sobretudo, bíblica.

1) O termo grego meizõn, traduzido por “maiores”, no texto em apreço, literalmente é “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não “milagres”, estritamente.

2) É claro que a obra da Igreja de Cristo envolve curas e milagres, como consequência da pregação do evangelho (Mc 16.15-20), mas o termo ergon alude a trabalho ou empreendimento, em sentido amplo (Jo 5.21; Rm 15.18; At 5.38). Daí a versão bíblica inglesa King James (KJV) empregar o vocábulo works, denotando que o termo original diz respeito a trabalho, obras, empreendimento, e não a milagres.

3) Qual foi a obra, o trabalho, de Jesus, ao andar na terra? O texto de Mateus 4.23 responde a essa pergunta: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curandotodas as enfermidades e moléstias entre o povo”. Outra passagem que enfatiza a obra do Senhor é Atos 10.38:“como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”.

4) O Senhor Jesus asseverou que o trabalho ou o empreendimento da sua Igreja, representada em João 14 por seus primeiros discípulos, seria maior do que o seu. Mas, em que sentido? “As obras que os discípulos farão depois da partida de Jesus serão maiores do que as de Jesus, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo. Os discípulos farão obras de Deus numa escala mais ampla, enquanto levam a mensagem da vida eterna ao mundo todo, tanto a gentios como a judeus” (MICHAELS, J. Ramsey, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo de João, Editora Vida, p.277).

5) Segue-se que: “As obras ‘maiores’ incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres. Este fato é demonstrado nas narrativas de Atos (At 2.41,43; 4.33; 5.12), e na declaração de Jesus em Mc 16.17,18... As obras dos discípulos serão ‘maiores’ em número e em alcance” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1601).

6) Benny C. Aker — professor do Assemblie of God Theological Seminary, em Springfield, Missouri, Estados Unidos —, referindo-se às tais “obras maiores”, afirmou que elas: “Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. Jesus fez estas ‘obras’, mas seus seguidores ao longo dos séculos trarão milhões de mais obras para o Pai. É o que eles fazem enquanto aguardam a vinda de Jesus” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD, p.581).

7) Diante do exposto, a passagem em análise não abona fenômenos estranhos, experiências exóticas, invencionices, modismos, sandices, truques, práticas hipnóticas e recursos outros empregados por super-pregadores milagreiros e ilusionistas do nosso tempo. Fiquemos com a Palavra de Deus, haja o que houver (1 Co 4.6; Gl 1.8; 2 Co 11.3,4).




Na minha opinião têm muitos forçando a barra legal, não acham?

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