21 de outubro de 2012

O casamento de José – no Egito (Gn 41:45)


Introdução

Este breve relato busca informar ao leitor sobre o casamento do Patriarca José (do Egito), com uma gentia, filha de um sacerdote idólatra.
Através deste pequeno texto, o leitor poderá entender o porquê isto aconteceu, e também o fato  de haver um momento na história, em que o casamento de José passou a não ter mais nenhuma valia para o novo Faraó que se levantara – oprimindo assim o povo hebreu.
Este casamento é visto por alguns como um simbolismo entre a Igreja e Cristo, e por outros, como uma questão de providência Divina, para o povo de Deus, e um momento de fome e escassez de diversos recursos.
Mas no final deste relato, veremos que a Mão de Deus sempre esteve presente na história da humanidade! 

Texto I

Apresentação da Perícope 

“E o Faraó impôs a José o nome de Safanet-Fanec, e lhe deu como mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On[1] Gn 41:45

Na tradução de João Ferreira de Almeida, dispomos deste versículo no seguinte modo:

“E Faraó chamou a José de Zafenate-Panéia, e deu-lhe por mulher a Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e saiu José por toda a terra do Egito. (Gen 41:45 ACF)”

Conforme vimos, nas duas traduções, encontramos um versículo carregados de termos egípcios. Vamos analisar na tradução literal do texto hebraico, se existe alguma mudança significativa em relação ao que temos nas nossas bíblias:

Texto hebraico
Tradução literal
  WTT Genesis 41:45 וַיִּקְרָ֙א פַרְעֹ֣ה שֵׁם־יוֹסֵף֘ צָֽפְנַ֣ת פַּעְנֵחַ֒ וַיִּתֶּן־ל֣וֹ אֶת־אָֽסְנַ֗ת בַּת־פּ֥וֹטִי פֶ֛רַע כֹּהֵ֥ן אֹ֖ן לְאִשָּׁ֑ה וַיֵּצֵ֥א יוֹסֵ֖ף עַל־אֶ֥רֶץ מִצְרָֽיִם׃

E chamou o faraó o nome de José Zafenate-Paneia, e deu para ele a Asenate, a filha de Potífera, o sacerdote de Om, como mulher; e saiu José pela terra de o Egito. (Gn.41:45)

Como visto, não existe nenhuma palavra no hebraico, que pode tornar esta versículo enigmático, como o inesquecível Êxodo 4:24, entre outros.
Trata-se apenas da narrativa da união de um hebreu (que recebeu um nome egípcio – por questões culturais), com uma filha de um sacerdote egípcio, para formalizar a aliança entre estes dois povos.

Visões para este casamento

a) Há quem vê neste casamento, um simbolismo entre Jesus e a Igreja, ou seja, José tomou uma esposa gentia para si, no tempo em que ele esteve rejeitado pelos seus irmãos. Isto nos fala da formação da igreja, também neste período de rejeição de Jesus por parte dos judeus.
b) Porém eu prefiro ficar com a opinião de que o casamento de José foi por questões políticas e culturais da época, para que José pudesse exercer seu novo cargo (Governador do Egito) e ter pleno êxito em suas incumbências, semelhantemente como aconteceu com o rei Salomão, porém com José não houve um exagero de casamentos e uma poligamia desordenada.

Coloquei na nota de rodapé os nomes egípcios conforme apresentados pela Bíblia de Jerusalém, porém achei importante dar um melhor destaque a cada uma desta pessoas envolvidas na história do casamento de José:
Potífera – Foi um sacerdote da cidade de Om, no Egito Antigo. Seu nome significa aquele que Rá (deusa) deu. Foi pai de Azenate, a qual foi dada como esposa a José, quando este tornou-se homem de confiança de faraó. Foi ela quem acalmou José ao ver a ira contra seus dois irmãos, quando estes se reencontraram. Tiveram dois filhos: Manasses e Efraim
Om ou Heliópolis era uma cidade muito importante do ponto de vista religioso e político na época. O seu deus principal era o deus Rá, porém acredito que eles não tiveram dificuldades em aceitar também no seu panteão o Deus Hebreu (YHWH). Nada se fala se José passou a adorar outros deuses, assim como o rei Salomão fez, após seus inúmeros casamentos com mulheres estrangeiras e idólatras.

José viveu ainda cerca de 71 anos depois que sua família chegou ao Egito. Ali, os filhos de Israel cresceram e se multiplicaram muito.

Texto em hebraico
Tradução literal
  WTT Exodus 1:7 וּבְנֵ֣י יִשְׂרָאֵ֗ל פָּר֧וּ וַֽיִּשְׁרְצ֛וּ וַיִּרְבּ֥וּ וַיַּֽעַצְמ֖וּ בִּמְאֹ֣ד מְאֹ֑ד וַתִּמָּלֵ֥א הָאָ֖רֶץ אֹתָֽם׃ פ

E os filhos de Israel frutificaram, e fervilharam, e aumentaram, e se fortaleceram em muito muito; e se encheu a terra deles.

Isto nos mostra, que se não fosse pela vontade soberana de Deus, Israel nunca mais deixaria o Egito. Precisou então levantar um novo rei, que não conhecia José, e aflingir  o povo hebreu, para que eles pudessem se libertarem do Egito, em rumo a terra que YHWH havia prometido ao patriarca Abraão.


Texto II

Israel afligido no Egito 

Em meio a muitas discussões, há um consenso mais ou menos geral, de que os “hicsos”[2], ou rei pastores, governavam o Egito no tempo em que José ali chegou, tendo sido Apepi II, da XVI Dinastia, por volta do ano 1700 a.C., o Faraó que o colocou no poder.
Enquanto os hicsos governavam, os hebreus foram favorecidos no país. Porém, os hicsos foram expulsos pela XVIII Dinastia.
Com uma mudança tão radical de governo, surgiu um novo rei sobre o Egito, que não conhecera José.
Esta nova Dinastia, por certo, estava disposta a impedir que os hicsos voltassem ao poder. Temendo que houvesse uma tentativa nesse sentido e que “vindo a guerra”, os israelitas então muito numerosos, pudessem se juntar aos “nosssos inimigos e pelege contra nós” – (Ex: 1:10)., procuraram encontrar uma maneira de subjugar e enfraquecer o povo hebreu.
O fundador da XVIII Dinastia e que teria derrotado os hicsos, tem sido identificado como sendo o Faraó Amósis, antecessor de Amenotepe I, que escravizou o povo hebreu para enfraquecê-lo, o que mais tarde deu origem a conhecida história do Êxodo.[3]

Conclusão

Após o problema da fome e da escassez em Cannaã terem sido “resolvidos”, com a migração do povo hebreu para o Egito, o povo israelita passou a sentir-se em uma situação confortável, aderindo a cultura egípcia, e com a mais absoluta certeza, esquecendo do seu Único e Verdadeiro Deus.
Se os hebreus não tivessem sido oprimidos e escravizados no Egito, com certeza o plano de Deus (YHWH) de formar um povo particular – através da chama de Abraão, em Ur. dos Caldeus, teria sido frustrado, e Israel nunca teria sua independência como nação.
E o Messias!?
Simplesmente não teria vindo ao mundo, e satanás sairia vitorioso.
Afirmo aos leitores que quase que satanás venceu, mas, o Nosso Senhor é Soberano, e fez com que os hebreus saíssem do Egito, formassem uma nação particular, santa, perseguida, mas que nos trouxe o Redentor. 

Bibliografia


1 – Bíblia de Jerusalém – Paulus – 2008

2 – Bíblia João Ferreira de Almeida – SBB – 2008

3 – Champlin, R.N – Enciclopédia de Bíblia – Teologia e Filosofia – Vol. 1e 6 – Ed. Hagnos

4 – Bible Works – Versão 8

5 – Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Portugues – SBB - 2012-10-18

6 – Guia Visual da História da Bíblia – Nacional Geographic

7 – Merril, Eugene H – História de Israel no Antigo Testamento – CPAD – 2011

            8 -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Hicsos (acessada em 18/10).



[1] Nomes egípcios: Çofnat Paneah = “Deus disse está vivo”; Asnat = Pertencente à deusa Neith”; Potifera, o nome igual ao de Putifar, de 37 a 56 = “Dom de Rã” ( deus solar). O sogro de José é sacerdote de On = Heliópolis, centro do culto solar, cujos sacerdotes tinham um papel político importante. José aliou-se à mais alta nobreza do Egito. Mas esses tipos de nomes não são documentados antes das disnastias XX-XXI. Eles são o produto da erudição do autor. Fonte: Bíblia de Jerusalém p88 - Paulus
[2] Os hicsos (do egípcio heqa khasewet, "soberanos estrangeiros";"reis pastores") foram um povo asiático que invadiu a região oriental do Delta do Nilo durante a décima segunda dinastia do Egito, iniciando o Segundo Período Intermediário da história do Antigo Egito. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hicsos (acessada em 18/10).
[3] Merril, Eugene – História de Israel no Antigo Testamento.  P. 50  CPAD


19 de outubro de 2012

Livro de Gênesis – Versículos 1 a 4 – Os “Gigantes” da antiguidade


Introdução


Gênesis, o primeiro livro do Pentateuco, cuja autoria a tradição atribui a Moisés, é o livro que descreve a história da criação dos céus e da terra, da chamada de Abraão em Ur. dos Caldeus, até a morte de José, filho de Jacó, na terra do Egito.
No sexto capítulo, existe uma perícope (versículos 1 a 4) que vêm sendo motivo de polêmica, desde a época dos pais apostólicos, até os dias de hoje.
Ela narra um fato que para nós pode parecer estranho, mas que foi perfeitamente entendido, pelos leitores da sua época.
Aparentemente, anjos dos céus se relacionaram sexualmente com as filhas dos homens terrenos, e dessa união nasceram seres híbridos, com estatura superior aos 3 metros, que são tratados pelos escritores da septuaginta e pelas maioria das  nossas traduções, como gigantes.
Seria isso possível?
Seria uma ilustração baseada em alguma mitologia, com a intenção de passar algum ensinamento à humanidade, ou justificar a destruição da terra, através do dilúvio?
Seria um equívoco pensar que estes anjos fossem seres celestiais, na verdade sendo filhos de Sete?
O escritor de Gênesis teria se valido do Livro Apócrifo de I Enoque?

Texto I

Apresentação da perícope 

O texto estudado neste trabalho é o de Gênesis 6:1-4, que será apresentado abaixo primeiramente na versão massorética[1].
Texto em hebraico
Tradução Literal
  WTT Genesis 6:1 וַֽיְהִי֙ כִּֽי־הֵחֵ֣ל הָֽאָדָ֔ם לָרֹ֖ב
עַל־פְּנֵ֣י הָֽאֲדָמָ֑ה וּבָנ֖וֹת יֻלְּד֥וּ לָהֶֽם׃

1 – E aconteceu que, quando começou o humano a se tornar numeroso sobre as faces de o solo; e filhas geradas para eles;
  WTT Genesis 6:2 וַיִּרְא֤וּ בְנֵי־הָֽאֱלֹהִים֙ אֶת־בְּנ֣וֹת הָֽאָדָ֔ם כִּ֥י טֹבֹ֖ת הֵ֑נָּה וַיִּקְח֤וּ לָהֶם֙ נָשִׁ֔ים מִכֹּ֖ל אֲשֶׁ֥ר בָּחָֽרוּ׃

2 – e viram os filhos de Deus as filhas de o humano, que boa elas; e tomaram para eles mulheres, dentre todas que escolheram
  WTT Genesis 6:3 וַיֹּ֣אמֶר יְהוָ֗ה לֹֽא־יָד֙וֹן רוּחִ֤י בָֽאָדָם֙ לְעֹלָ֔ם בְּשַׁגַּ֖ם ה֣וּא בָשָׂ֑ר וְהָי֣וּ יָמָ֔יו מֵאָ֥ה וְעֶשְׂרִ֖ים שָׁנָֽה׃

3 – E disse YHWH: Não permanecerá o meu espírito com o humano para tempo longo, e que também ele carne; e serão os dias dele cento e vinte anos.
  WTT Genesis 6:4 הַנְּפִלִ֞ים הָי֣וּ בָאָרֶץ֘ בַּיָּמִ֣ים הָהֵם֒ וְגַ֣ם אַֽחֲרֵי־כֵ֗ן אֲשֶׁ֙ר יָבֹ֜אוּ בְּנֵ֤י הָֽאֱלֹהִים֙ אֶל־בְּנ֣וֹת הָֽאָדָ֔ם וְיָלְד֖וּ לָהֶ֑ם הֵ֧מָּה הַגִּבֹּרִ֛ים אֲשֶׁ֥ר מֵעוֹלָ֖ם אַנְשֵׁ֥י הַשֵּֽׁם׃ פ

4 – Os nefilins estavam na terra nos dias os aqueles, e também, depois, assim, que vieram os filhos de o Deus para as filhas de o humano, e geraram para eles; eles os valentes que desde tempo longo passado, os homens de o nome.

O versículo dois, fala em filhos de Deus, e filho de o humano, o que me parece estar se referindo ao ser humano, e não a uma determinada descendência de homens maus, o que invalida a hipótese de estar se referindo a geração de Sete.
O versículo quatro nos aponta que os nefilins já existiam desde um passado remoto, e não foi somente através de relacionamento sexual entre seres celestiais e humanos.
O termo que tornam esta perícope mais interessante é:
Nefilim, do hebraico נְפִלנ ְפִיל nefilím, que significa desertores, caídos, derrubados, mas tal termo é uma variação do termo נָפַל. Deriva da forma causativa do verbo nafál ou nefal (cair,queda,derrubar,cortar). Traz uma ideia de dividido, falho, queda, perdido, mentiroso, desertor. Literalmente os que fazem os outros cair ou mentir.
O autor pode perfeitamente estar se referido à seres celestiais que caíram em pecado, e queriam fazer o mesmo com a raça humana.
Existem outras passagens bíblicas em que encontramos a palavra gigante, não é exatamente a palavra nefilim a utilizada no texto massorético, como por exemplo em Dt. 1.28, que usa a palavra Anakim עֲנָקִ֖ים , que a LXX também traduz como gigantes.
Já em Nm. 13:33, encontramos os “filhos de Anak, descendentes de gigantes (אֶת־הַנְּפִילִ֛ים בְּנֵ֥י עֲנָ֖ק ), onde a palavra nefilim é apresentada, porém o contexto “éramos como gafanhotos” apenas me pareceu que tratava-se de muitas pessoas, de ambos os clãs.
O Livro de I Crônicas, quando vai descrever Golias, o mais famoso gigante bíblico, poderia apresentar o termo nefilim no texto original, porém apresenta o termo “homem de grande estatura (אִ֣ישׁ מִדָּ֗ה וְאֶצְבְּעֹתָ֤יו ), para descrever o campeão filisteu.
Concluo com isso, que nefilim, realmente tem haver com caráter, e não estatura, tampouco a existência de seres extra-grandes, nos tempos vetero-testamentários.
O historiador Flavio Josefo, no seu livro de antiguidade judaicas, aumentou o tamanho dos gigantes para 6 metros, fato que corre o risco de soar como um verdadeiro absurdo.
Abaixo, apresento com esta perícope está inserida nas traduções mais usadas na língua portuguesa:
ACF  Genesis 6:1 E ACONTECEU que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,

ARA  Genesis 6:1 Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas,

ARC  Genesis 6:1 E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,

BRP  Genesis 6:1 E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,

SBP  Genesis 6:1 Quando a humanidade começou a ser mais numerosa na terra e foram nascendo mais raparigas,

ACF  Genesis 6:2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

ARA  Genesis 6:2 vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.

ARC  Genesis 6:2 viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

BRP  Genesis 6:2 Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

SBP  Genesis 6:2 os seres celestes viram que estas eram belas e cada um deles escolheu para sua mulher aquela que mais lhe agradou.

ACF  Genesis 6:3 Então disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.

ARA  Genesis 6:3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.

ARC  Genesis 6:3 Então, disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.

BRP  Genesis 6:3 Entäo disse o SENHOR: Näo contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias seräo cento e vinte anos.

SBP  Genesis 6:3 O Senhor disse então: "Não vou proteger o homem por muito tempo. Ele é mortal, a sua sobrevivência não irá além de cento e vinte anos."

ACF  Genesis 6:4 Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.

ARA  Genesis 6:4 Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.

ARC  Genesis 6:4 Havia, naqueles dias, gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama.

BRP  Genesis 6:4 Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.

SBP  Genesis 6:4 Havia então na terra os gigantes e continuaram depois, a existir. É que os seres celestes tinham casado com as filhas dos homens e tinham gerado filhos. Foram esses os famosos heróis dos tempos antigos


Observando todas as traduções, a que mais se destaca é a da SBP[2], que embasa explicitamente que os filhos de Deus eram seres celestiais, e as filhas dos homens, mulheres terrenas. 

Texto II 

O que os comentaristas bíblicos dizem sobre o assunto 

Bíblia de Jerusalém

Comentário[3]: Filhos de Deus e filhos dos homens – nem tudo está claro para nós neste breve episódio de tradição javista, mas o autor retoma sem dúvida elementos de uma tradição popular de caráter mitológico. A dificuldade inicialmente provém da identidade  dos “filhos de Deus” (Cf. Dt 38+), depois da relação que pode haver aí entre sua união com as filhas dos homens e os nephilîm do v.4. Poder-se-ia pensar que estes (pensa-se aqui em Ez 32,17-32, onde se fala precisamente daqueles que “caíram” significação de nephilîm, e que foram colocados ou estão curvados, apesar de seu valor, entre as vítimas da espada, assim como num mito grego dos Titãs) são o resultado da união dos “filhos de Deus” com as filhas dos homens, mas o texto diz apenas que os nephilîm habitavam sobre a terra nesse tempo. Eles poderiam ser os Gigantes (ou Titãs) semíticos, mas em outro lugar são chamados de “filhos de Anaq” ou Anaqîn (cf. Nm 13,28.33; Dt 1,28+). Sem se pronunciar sobre o valor dessa crença e velando o seu aspecto mitológico, ele lembra apenas essa recordação de uma raça insolente de super-homens, como um exemplo da perversidade crescente que irá motivar o dilúvio. O judaísmo posterior e quase todos os escritores eclesiásticos viram anjos culpados nesses “filhos de Deus”. Mas, a partir do século IV, em função de uma noção espiritual dos anjos, os Padres comumente interpretaram os “filhos de Deus” como a linhagem de Set e as “filhas dos homens” como a descendência de Caim. 

Antônio Gilberto – Bíblia de Estudo Pentecostal

Os filhos de Deus  - Estes “filhos de Deus”, sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14.1; Sl 73.15; Os 1.10); eles deram início aos casamentos mistos com as “filhas dos homens”. i.e., mulheres da família ímpia de Caim[4]
A teoria de que os “filhos de Deus” eram anjos, não subsiste ante as palavras de Jesus, que os anjos não se casam (Mt 22.30; Mc 12.25). Essa união entre os justos e os ímpios levou à maldade” do versículo 5, i.e., os justos passaram a uma vivência iníqua. Como resultado, a terra corrompeu-se e encheu-se de violência.[5]

Testemunhas de Jeová e a Tradução do Novo Mundo[6]

Gn. 1 Ora, sucedeu que, quando os homens principiaram a aumentar em número na superfície do solo e lhes nasceram filhas, Gn2 então os filhos do [verdadeiro] Deus começaram a notar as filhas dos homens, que elas eram bem-parecidas; e foram tomar para si esposas, a saber, todas as que escolheram. Gn.3 Depois disso, Jeová disse: “Meu espírito não há de agir por tempo indefinido para com o homem, porquanto ele é carne. Concordemente, seus dias hão de somar cento e vinte anos.”
Gn.4 Naqueles dias veio a haver os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos do [verdadeiro] Deus continuaram a ter relações com as filhas dos homens e elas lhes deram filhos; eles eram os poderosos da antiguidade, os homens de fama.
As Testemunhas de Jeová ensinam que os “gigantes” de Gênesis 6:4 são o resultado da união de mulheres com anjos. Baseiam-se no verso 2, onde existe a expressão “filhos de Deus”, que eles atribuem referir-se aos anjos e também citam o verso 1 do capitulo dois de Jó para provarem seu ensino, onde também aparece o termo hebraico [7]בְּנֵ֣י הָֽאֱלֹהִ֔ים que quer dizer: Filhos ou descendentes de Elohim. 

Comentário de Finis Jenning Dake[8]

Dake afirma que os Filhos de Deus, realmente eram anjos caídos, e a união destes com as mulheres foi uma investida de satanás para anular a raça adâmica, conforme a epígrafe encontrada na Bíblia de Estudo Dake: “16. Pecados dos anjos: fornicação para anular a raça adâmica”
Portanto, os gigantes seriam os filhos nascidos dessa relação entre seres celestiais e as mulheres terrenas.

Gigantes Extraterrestres 

Esse conceito por si só é uma coisa surpreendente, porém, um povo mais antigo que os Israelitas acreditavam nela, eles escreveram que os Gigantes eram povos celestiais, que vieram não da terra, mais de outro planeta. No atual Iraque, por volta de 6 mil anos, habitou o local uma civilização com cultura muito avançada, eram chamados de Sumérios, eles foram os pioneiros de quase tudo que constitui nossa sociedade atual, criaram o primeiro congresso com duas câmaras, a primeira escrita, o melhor hospedagem de site primeiro sistema de escolas, sabedores de todas essas façanhas, nos perguntamos, de onde vem tudo isso?, creio que temos que recorrer aos próprios antigos Sumérios, e em todos os lugares, em todas as inscrições Sumérias vemos que sempre é dito que todo o seu avançado conhecimento veio de seres vindos dos céus, os chamados Ananocs, e após analisar os escritos Sumérios, renomados historiadores afirmam que esse povo, os Ananocs, eram pelo menos um terço maiores que os humanos, portanto, eram Gigantes[9] 

Texto III 

O Livro de I Enoque 

Existe uma pequena corrente que defende que o livro apócrifo de I Enoque, foi escrito pelo próprio Enoque, ancestral de Noé – sétimo depois de Adão.
Olhando por este ponto, Moisés teria usado-o como fonte para compor o início do capítulo 6 de Gênesis, conforme a semelhança apontada abaixo:

I Livro de Enoque
Gênesis 6[10]
1 - Quando outrora aumentou o número dos filhos dos homens, nasceram-lhes filhas bonitas e amoráveis. Os Anjos, filhos do céu, ao verem-nas,desejaram-nas e disseram entre si: "Vamos tomar mulheres dentre as filhas dos homens e gerar filhos!"

1 - Quando os homens começaram a ser numerosos sobre a face da terra, e lhe nasceram filhas,
2 - Disse-lhes então o seu chefe Semjaza: "Eu receio não queirais realizar isso, deixando-me no dever de pagar sozinho o castigo de um grande pecado". Eles responderam-lhe em coro: "Nós todos estamos dispostos a fazer um juramento, comprometendo-nos a uma maldição comum mas não abrir mão do plano, e sim executá-lo".
2 - os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas e tomaram como mulheres todas as que lhe agradaram.
3 - Então eles juraram conjuntamente, obrigando-se a maldições que a todos atingiriam. Eram ao todo duzentos os que, nos dias de Jared, haviam descido sobre o cume do monte Hermon. Chamaram-no Hermon porque sobre ele juraram e se comprometeram a maldições comuns.

3 - Iahweh disse: “Meu espírito não permanecerá no homem, pois ele é carne; não viverá mais que cento e vinte anos.”
4 –Assim se chamavam os seus chefes: Semjaza, o superior de todos eles, Arakiba, Rameel, Kokabiel, Tamiel, Ramiel, Danei, Ezekeel, Narakijal, Azael, Armaros, Batarel, Ananel, Sakeil, Samsapeel, Satarel, Turel, Jomjael e Sariel. Eram esses os chefes de cada grupo de dez.
4 - Ora, naquele tempo (e também depois), quando os filhos de Deus se uniam as filhas dos homens e estas lhe davam filhos, os Nefilim habitavam sobre a terra; estes homens famosos foram os heróis dos tempos antigos
A partir daí, segundo o Livro de Enoque, os anjos começaram a interagir não só com as mulheres, mas com toda a humanidade, e ensinar-lhes a praticar toda espécie de pecados, porém deixo destacado o ponto em que ele descreve que da união destas mulheres com os seres celestiais caídos, deram origem aos gigantes:
“Entrementes elas engravidaram e deram à luz a gigantes de 3.000 côvados de altura. Estes consumiram todas as provisões de alimentos dos demais homens. E quando as pessoas nada mais tinham para dar-lhes os gigantes voltaram-se contra elas e começaram a devorá-las.” (I Enoque 7:2).
A partir de então, segundo o escritor do livro, o Senhor começa a executar o seu plano de destruição da terra, pois a maldade entre os humanos teria chegado ao extremo, assim como acontece no livro de Gênesis, quando Deus chama Noé.
Porém, existe outra linha teológica, que defende que I Enoque foi escrito entre os séculos IV e III a.C, o que invalida o fato de Moisés ter usado este livro como fonte para Gênesis, e sim ao contrário, quando este livro foi escrito, já existia o livro de Gênesis.
Independente de qual dos livros foi escrito primeiro, é inegável alguns paralelos que existem entre os dois, conforme estas passagens:

Deuteronômio 33:2 Disse pois: O SENHOR veio de Sinai, e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Parä, e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei.
1 Enoque 1:9 Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.


Mas os anjos realmente se relacionaram com as mulheres, e estes seres híbridos realmente existiram?
Isto é uma resposta que ninguém poderá dar, dizendo ser a verdade absoluta, pois quaisquer dos dois escritores mencionados podem ter em suas obras uma verdade literal, ou terem usado uma verdade mitológica (grega?), para expressar uma verdade “atual”, ou simplesmente ter usado essa mitologia como forma de ensinamento. 

Conclusão 

Por fim, após analisar esta interessante perícope através de seus escritos originais, usar fontes apócrifas como paralelo de pesquisa, usar traduções da bíblia para o português em diferentes versões, não se consegue chegar a uma verdade absoluta sobre quem realmente são os filhos de Deus, e também os gigantes.
Considero que esta perícope inserida na Bíblia, é de completa origem mitológica, que teve como intenção mostrar a que ponto a maldade se espalhava pelo mundo, dando origem ao juízo de Deus.
Os gigantes, encontrados nos livros canônicos são diferentes dos encontrados nos apócrifos.
Acredito se realmente tivesse existido este seres sobrenaturais, os livros canônicos teriam-os apresentado de forma mais detalhada.  

Bibliografia 

1 – Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Português – Vol 1 – Pentateuto SBB -  2012.
2 – Bíblia de Jerusalém – Ed. Paulus – 2008
3 – Bíblia de Estudo Pentecostal. ARC – CPAD -2008
4 – Tradução do Novo Mundo – (Bíblia dos Testemunhas de Jeová)
5 -  http://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia - acessado em 01/10/2012
6 – http://misterioshistoricosdahumanidade.blogspot.com – acessado em 04/10/2012
7 – http://pt.wikpedia.orr/wiki/Nefilim - acessada em 30/09/2012
8 – Software Bible Works 8
9 - Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia – página 261 – Fonte editorial Trad. Claudio J. A Rodrigues – 2005
10 – Dake – Bíblia de Estudo – ARC – Editora Atos – 2010
11 – Stern, David H - Bíblia Judaica Completa Ed. Vida – 2011
12 – Dicionário Hebraico-Português & Aramaico – Português – 23º Edição - Vozes



[1] Texto original em hebraico, acrescido dos sinais indicativos de vogais, sílaba tônica, etc.
[2] Sociedade Bíblica de Portugal, ou seja, é uma tradução em português de Portugal.
[3] Bíblia de Jerusalém – Paulus – pp.41,42  - 2008
[4] Saiu Caim diante da face do Senhor. Caim e seus descendentes foram os cabeças da civilização humana até hoje desviada de Deus. A motivação básica de todas as sociedades humanistas está em superar a maldição, buscar o prazer e reconquistar o “paraíso”, sem submissão a Deus. Noutras palavras, o sistema mundial fundamenta-se no princípio da auto-redenção da raça humana, na sua rebelião contra Deus.
[5] Bíblia de Estudo Pentecostal – Gilberto, Antonio – CPAD – 2008 pp. 39, 41
[6] Tradução do Novo Mundo – Feito Download do site http://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia/
[7] Na versão do BW8 o termo Filhos de Deus em Gênesis 6:2 aparece assim: בְנֵי־הָֽאֱלֹהִים
[8] Bíblia Dake – ppp 13, 100 e 101
[9] http://misterioshistoricosdahumanidade.blogspot.com.br/2012/06/gigantes-misterio-ou-mito.html, acessada em 04/10/2012 – 15:00
[10] Usei como versão a Bíblia de Jerusalém