21 de outubro de 2012

O casamento de José – no Egito (Gn 41:45)


Introdução

Este breve relato busca informar ao leitor sobre o casamento do Patriarca José (do Egito), com uma gentia, filha de um sacerdote idólatra.
Através deste pequeno texto, o leitor poderá entender o porquê isto aconteceu, e também o fato  de haver um momento na história, em que o casamento de José passou a não ter mais nenhuma valia para o novo Faraó que se levantara – oprimindo assim o povo hebreu.
Este casamento é visto por alguns como um simbolismo entre a Igreja e Cristo, e por outros, como uma questão de providência Divina, para o povo de Deus, e um momento de fome e escassez de diversos recursos.
Mas no final deste relato, veremos que a Mão de Deus sempre esteve presente na história da humanidade! 

Texto I

Apresentação da Perícope 

“E o Faraó impôs a José o nome de Safanet-Fanec, e lhe deu como mulher Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On[1] Gn 41:45

Na tradução de João Ferreira de Almeida, dispomos deste versículo no seguinte modo:

“E Faraó chamou a José de Zafenate-Panéia, e deu-lhe por mulher a Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e saiu José por toda a terra do Egito. (Gen 41:45 ACF)”

Conforme vimos, nas duas traduções, encontramos um versículo carregados de termos egípcios. Vamos analisar na tradução literal do texto hebraico, se existe alguma mudança significativa em relação ao que temos nas nossas bíblias:

Texto hebraico
Tradução literal
  WTT Genesis 41:45 וַיִּקְרָ֙א פַרְעֹ֣ה שֵׁם־יוֹסֵף֘ צָֽפְנַ֣ת פַּעְנֵחַ֒ וַיִּתֶּן־ל֣וֹ אֶת־אָֽסְנַ֗ת בַּת־פּ֥וֹטִי פֶ֛רַע כֹּהֵ֥ן אֹ֖ן לְאִשָּׁ֑ה וַיֵּצֵ֥א יוֹסֵ֖ף עַל־אֶ֥רֶץ מִצְרָֽיִם׃

E chamou o faraó o nome de José Zafenate-Paneia, e deu para ele a Asenate, a filha de Potífera, o sacerdote de Om, como mulher; e saiu José pela terra de o Egito. (Gn.41:45)

Como visto, não existe nenhuma palavra no hebraico, que pode tornar esta versículo enigmático, como o inesquecível Êxodo 4:24, entre outros.
Trata-se apenas da narrativa da união de um hebreu (que recebeu um nome egípcio – por questões culturais), com uma filha de um sacerdote egípcio, para formalizar a aliança entre estes dois povos.

Visões para este casamento

a) Há quem vê neste casamento, um simbolismo entre Jesus e a Igreja, ou seja, José tomou uma esposa gentia para si, no tempo em que ele esteve rejeitado pelos seus irmãos. Isto nos fala da formação da igreja, também neste período de rejeição de Jesus por parte dos judeus.
b) Porém eu prefiro ficar com a opinião de que o casamento de José foi por questões políticas e culturais da época, para que José pudesse exercer seu novo cargo (Governador do Egito) e ter pleno êxito em suas incumbências, semelhantemente como aconteceu com o rei Salomão, porém com José não houve um exagero de casamentos e uma poligamia desordenada.

Coloquei na nota de rodapé os nomes egípcios conforme apresentados pela Bíblia de Jerusalém, porém achei importante dar um melhor destaque a cada uma desta pessoas envolvidas na história do casamento de José:
Potífera – Foi um sacerdote da cidade de Om, no Egito Antigo. Seu nome significa aquele que Rá (deusa) deu. Foi pai de Azenate, a qual foi dada como esposa a José, quando este tornou-se homem de confiança de faraó. Foi ela quem acalmou José ao ver a ira contra seus dois irmãos, quando estes se reencontraram. Tiveram dois filhos: Manasses e Efraim
Om ou Heliópolis era uma cidade muito importante do ponto de vista religioso e político na época. O seu deus principal era o deus Rá, porém acredito que eles não tiveram dificuldades em aceitar também no seu panteão o Deus Hebreu (YHWH). Nada se fala se José passou a adorar outros deuses, assim como o rei Salomão fez, após seus inúmeros casamentos com mulheres estrangeiras e idólatras.

José viveu ainda cerca de 71 anos depois que sua família chegou ao Egito. Ali, os filhos de Israel cresceram e se multiplicaram muito.

Texto em hebraico
Tradução literal
  WTT Exodus 1:7 וּבְנֵ֣י יִשְׂרָאֵ֗ל פָּר֧וּ וַֽיִּשְׁרְצ֛וּ וַיִּרְבּ֥וּ וַיַּֽעַצְמ֖וּ בִּמְאֹ֣ד מְאֹ֑ד וַתִּמָּלֵ֥א הָאָ֖רֶץ אֹתָֽם׃ פ

E os filhos de Israel frutificaram, e fervilharam, e aumentaram, e se fortaleceram em muito muito; e se encheu a terra deles.

Isto nos mostra, que se não fosse pela vontade soberana de Deus, Israel nunca mais deixaria o Egito. Precisou então levantar um novo rei, que não conhecia José, e aflingir  o povo hebreu, para que eles pudessem se libertarem do Egito, em rumo a terra que YHWH havia prometido ao patriarca Abraão.


Texto II

Israel afligido no Egito 

Em meio a muitas discussões, há um consenso mais ou menos geral, de que os “hicsos”[2], ou rei pastores, governavam o Egito no tempo em que José ali chegou, tendo sido Apepi II, da XVI Dinastia, por volta do ano 1700 a.C., o Faraó que o colocou no poder.
Enquanto os hicsos governavam, os hebreus foram favorecidos no país. Porém, os hicsos foram expulsos pela XVIII Dinastia.
Com uma mudança tão radical de governo, surgiu um novo rei sobre o Egito, que não conhecera José.
Esta nova Dinastia, por certo, estava disposta a impedir que os hicsos voltassem ao poder. Temendo que houvesse uma tentativa nesse sentido e que “vindo a guerra”, os israelitas então muito numerosos, pudessem se juntar aos “nosssos inimigos e pelege contra nós” – (Ex: 1:10)., procuraram encontrar uma maneira de subjugar e enfraquecer o povo hebreu.
O fundador da XVIII Dinastia e que teria derrotado os hicsos, tem sido identificado como sendo o Faraó Amósis, antecessor de Amenotepe I, que escravizou o povo hebreu para enfraquecê-lo, o que mais tarde deu origem a conhecida história do Êxodo.[3]

Conclusão

Após o problema da fome e da escassez em Cannaã terem sido “resolvidos”, com a migração do povo hebreu para o Egito, o povo israelita passou a sentir-se em uma situação confortável, aderindo a cultura egípcia, e com a mais absoluta certeza, esquecendo do seu Único e Verdadeiro Deus.
Se os hebreus não tivessem sido oprimidos e escravizados no Egito, com certeza o plano de Deus (YHWH) de formar um povo particular – através da chama de Abraão, em Ur. dos Caldeus, teria sido frustrado, e Israel nunca teria sua independência como nação.
E o Messias!?
Simplesmente não teria vindo ao mundo, e satanás sairia vitorioso.
Afirmo aos leitores que quase que satanás venceu, mas, o Nosso Senhor é Soberano, e fez com que os hebreus saíssem do Egito, formassem uma nação particular, santa, perseguida, mas que nos trouxe o Redentor. 

Bibliografia


1 – Bíblia de Jerusalém – Paulus – 2008

2 – Bíblia João Ferreira de Almeida – SBB – 2008

3 – Champlin, R.N – Enciclopédia de Bíblia – Teologia e Filosofia – Vol. 1e 6 – Ed. Hagnos

4 – Bible Works – Versão 8

5 – Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Portugues – SBB - 2012-10-18

6 – Guia Visual da História da Bíblia – Nacional Geographic

7 – Merril, Eugene H – História de Israel no Antigo Testamento – CPAD – 2011

            8 -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Hicsos (acessada em 18/10).



[1] Nomes egípcios: Çofnat Paneah = “Deus disse está vivo”; Asnat = Pertencente à deusa Neith”; Potifera, o nome igual ao de Putifar, de 37 a 56 = “Dom de Rã” ( deus solar). O sogro de José é sacerdote de On = Heliópolis, centro do culto solar, cujos sacerdotes tinham um papel político importante. José aliou-se à mais alta nobreza do Egito. Mas esses tipos de nomes não são documentados antes das disnastias XX-XXI. Eles são o produto da erudição do autor. Fonte: Bíblia de Jerusalém p88 - Paulus
[2] Os hicsos (do egípcio heqa khasewet, "soberanos estrangeiros";"reis pastores") foram um povo asiático que invadiu a região oriental do Delta do Nilo durante a décima segunda dinastia do Egito, iniciando o Segundo Período Intermediário da história do Antigo Egito. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hicsos (acessada em 18/10).
[3] Merril, Eugene – História de Israel no Antigo Testamento.  P. 50  CPAD


Um comentário:

  1. Bom dia.. gostaria desaber ql referencia vc usou paa dizer q a esposa de Jose o acalmou após rever seus irmaos.. desde ja agradeço..

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