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11 de outubro de 2014

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Falando sobre sociologia da religião

1) Em que sentido a visão de Marx pode ser considerada válida na atualidade, considerando a proliferação de religiões em nossa sociedade pós-moderna?

Marx de início já fazia apologia que de a religião é o “ópio da humanidade”1, e compara a religião como uma ilusão, onde a pessoa religiosa pensa torna-se uma espécie de super-homem, com a ajuda das divindades, que hoje em dia, com as diversas religiões e seitas são muitos. Os casos mais acentuados se dá entre os crentes neopentecostais, pentecostais e também aos adeptos das religiões africanas.
Os protestantes e históricos sofrem menos desse efeito que Marx já observava.
Hoje em dia, a religião não apenas no Brasil, mas nos Estados Unidos e Europa giram em torno do capitalismo.
Por isso as igrejas vêm crescendo de forma monstruosa por estes países, já que as pessoas que buscam a igreja e a religião, além da ilusão de se tornarem super-homem, também vão apenas de milagres, que na maioria das vezes consiste em bênçãos materiais (a cura vem em segundo plano).
A religião é apresentada no texto como discussão teológica, portanto teórica. Ela, “a tese geral deste mundo”, explica, aos homens, o mundo em que vivem. Mas de que forma? Fornecendo-lhes a imagem de super-homem que citei anteriormente, que transcende o humano.
A religião serviria essencialmente para tornar suportável a existência humana, o nosso “vale de lágrimas”, expressão de origem bíblica. Desta forma para superar o mundo injusto é necessário superar a religião que o sustenta. A religião transforma algo sagrado em provação divina, portanto, o suportar das condições de existência. Por isso, ela é o ópio: ajuda a suportar a dor de viver em um mundo tão desigual.
Acredito que Marx teria escrito bem mais, se na sua época tivesse conhecimento da “Teologia da Prosperidade”, já que este seria um forte obstáculo para a transformação advogada por Marx – o desaparecimento do capitalismo.
1 Ópio é uma droga derivada da heroína, que causa euforia, bem estar, ausência de dor (no caso de uso hospitalar). Enfim, faz o ser humano sentir uma falsa alegria por alguns momentos, dependendo da dose utilizada.


2) Observando as religiões neopentecostais atuais, nascidas a partir de matrizes religiosas norte-americanas, pode-se dizer que a visão de Weber sobre a relação entre o “Espírito do capitalismo” e a religião continua presente na base da pregação de tais igrejas?

Sim, pode. Mas discordo da colocação da pergunta, onde se é citada apenas as religiões neopentecostais, porque na verdade, hoje em dia “todas” as religiões carregam consigo o “Espírito da Capitalismo”, exceto umas pouca, que citei na questão anterior.
Podemos ver coerência na teoria de Weber principalmente quando colocamos em questão a fé calvinista (predestinação) com a formação basilar do espírito capitalista moderno, o que não descarta que o capitalismo não pudesse ter existido sem a existência dessas tendências, já que Weber tinha o conhecimento de que o capitalismo surgira bem antes da Reforma Protestante.
Weber escreveu diferentes textos, apontando que o capitalismo no mundo sempre existiu, separadamente da religião, não colocando a “culpa” somente na religião, nem mesmo da época da corrupção da Igreja Católica Romana, com a venda de indulgências.
Weber cita que o homem prefere trabalhar somente o necessário para viver, afirmando que tal idéia concorda plenamente com as idéias do calvinismo antigo.
Assim o calvinismo não foi o responsável direto pelo capitalismo. Ele diz que foi “um dos portadores” e não “o” portador da educação para o espírito da capitalismo.
Mas, baseado no “ide” muitas igrejas são fundadas, e o dinheiro tornou-se o tema central das pregações. Muitas da vezes Jesus fica de fora de tais pregações.
Como respondi na questão anterior sobre o espírito do capitalismo dentro da igreja, o que se pode dizer é que Weber tinha uma leve visão sobre este aspecto, pois hoje em dia está muito pior do que na época de Weber. Talvez ele nunca imaginou que chegaria a este ponto, mas, infelizmente esta é a realidade contemporânea.

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